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Mulheres na história

A história de São João da Boa Vista quase sempre foi contada por homens — coronéis, padres, fazendeiros, construtores. Mas, ao lado deles e às vezes à frente, houve mulheres que tocaram fazendas, salvaram instituições, deram aulas, traduziram um mundo novo e levaram o nome da cidade ao mundo. Esta exposição reúne algumas delas.

Dona Elisa, a viúva que percorria a fazenda a cavalo

Casa principal da Fazenda Barreiro
A casa principal da Fazenda Barreiro, que Dona Elisa comandou por quase trinta anos.

Elisa Kühl Rehder (1847–1920) chegou ao Brasil aos 10 anos, no veleiro Emilie. Ao enviuvar em 1892, assumiu sozinha a direção da Fazenda Barreiro, criou os treze filhos e ainda recomprou, com o produto da lavoura, as partes que no inventário couberam aos herdeiros. Até velha percorria a fazenda “diariamente a cavalo, de trole e muitas vezes a pé”; minutos antes de morrer, “ainda dava ordens sobre os serviços da casa”. Leia a crônica →

Ana do Chapadão, a matriarca da fazenda

Ana Francisca Junqueira (1804–1879), a “Ana do Chapadão”, assumiu o comando da família e da Fazenda Chapadão após a morte do marido, em 1855 — “uma mulher muito admirada e respeitada na região”. Seus sete filhos espalharam ramos por Águas da Prata, Santo Antônio do Jardim e São João, fazendo dela ancestral de muitas famílias sanjoanenses de hoje.

Pauline, o “anjo bom” de seis línguas

Pauline Schmeiske dominava alemão, sueco, russo, dinamarquês, polonês e português. Quando se mudou para Birigui, nos primórdios da cidade, tornou-se intérprete dos imigrantes que chegavam sem saber a língua — “como um anjo bom que os ajudava em tudo”. Sua filha Lydia, professora, dá nome a uma rua e a uma escola.

“Nhá Mina” e a casa que virou Teatro

A casa de Firmina Castorina de Andrade, a “Nhá Mina” (1860–1926), ficava exatamente onde hoje está o Teatro Municipal; boa parte do terreno foi desapropriada para abrir a Praça Coronel Joaquim José. Por trás de uma praça e de um teatro que todo sanjoanense conhece, havia uma família e uma mulher.

Dona Carolina e o “Templo da Caridade”

A Santa Casa de Misericórdia nasceu da generosidade do povo — e a memória do almanaque guarda o nome de Dona Carolina Malheiros de Vasconcellos, que idealizou a kermesse capaz de arrecadar “vinte e quatro contos de réis” para levar a obra a efeito.

As pianistas: Marly, Guiomar e a Pagu

A música deu à cidade três nomes femininos notáveis. Marly Evangeline (1937–1949) foi uma pianista prodígio, falecida precocemente, que dá nome a uma pracinha. Guiomar Novaes (1894–1979), nascida em São João da Boa Vista, tornou-se uma das maiores pianistas do mundo. E Patrícia Galvão, a Pagu (1910–1962) — bisneta de Nicolau Rehder, criada entre a família —, virou ícone do modernismo brasileiro.

Fontes: Alemães, Suecos, Dinamarqueses e Austríacos, 1824 — Famílias Pioneiras, A Ermida de N. Sra. do Carmo e São João da Boa Vista nos Almanaques, de Jaime Splettstoser Junior.

Conhece outras mulheres que marcaram a cidade — professoras, parteiras, comerciantes, operárias? Ajude a contar a história delas →

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